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Corte
das lâminas para marchetaria. Até o século
XIX, o corte era feito em 1,6 mm, hoje, com o corte mecânico
o padrão de lâminas é de 1,0 mm. Gravura
de Roubo para a Enciclopédia de Alembert e Diderot.
Esquema
de transformação
de um desenho em marchetaria. O domínio do sombreamento
é fundamental, sem isso a obra perde profundidade e
volume. As sombras devem respeitar a perspectiva e nisso o
esquema é muito parecido com o desenho. Repare que,
acima, no desenho, há profundidade e volume, abaixo,
tudo o que temos são linhas, que só vão
ganhar peso depois do processo de sombreamento. Eis o segredo
de uma marchetaria de primeira classe: onde sombrear para
conferir ao desenho o peso certo.
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A marchetaria começa no Egito
antigo com a incrustação de pedras preciosas
e marfim. Por milênios a marchetaria seria basicamente
isso, incrustações de pedras e marfim, que em
relação ao Egito antigo só evoluiriam
para os motivos geométricos. No mundo antigo, não
há de se desprezar também a importante colaboração
romana com o intarsio, uma montagem a partir de madeiras de
diferentes tonalidades que depois de séculos esquecida
retomou seu brilho no século XIV e teve em florença
se principal centro de produção . Os pigmentos
obtidos por Giovani Da Verona a partir de decocção
vegetal e óleos ferventes possibilitaram uma grande
variedade de cores, com maior resistência que a pintura
sobre madeira, o intarsio foi largamente usado em mosaicos
geométricos, representações arquitetônicas,
retratos e naturezas mortas. Há na Itália igrejas
com grandes painéis de marchetaria da época,
e até mesmo um busto de São Mateus executado
por Cristoforo de Lenderina a partir de um desenho do famoso
pintor Piero della Francesca. No entanto, a repetitiva técnica
da tarsia a toppo provocou a diminuição do valor
artistíco da produção. Mas os painéis
da época continuam sendo testemunho do esplendor desta
arte na Italia Renascentista.
Após um tímido, mas fundamental desenvolvimento
na Alemanha, Inglaterra e Países Baixos durante os
séculos XVI e XVII, a marchetaria se estabelece no
país que a revolucionaria: A França. Em meados
do século XVII, pelas mãos de Jean Macé,
formado pelos mestres de Middelburg, a marchetaria vira moda
na França. Retomando uma técnica italiana chamada
de Tarsia incastro, André Charles Boulle, o maior nome
da marchetaria e ebenesteria, inventa seu famoso método
de corte em superposição. Seu excepcional talento
rende a Boulle o título de "ébeniste du
roi" durante o reinado de Luís XIV. Boulle inaugura
uma nova época para a marchetaria, que viverá
seus dias de glória de então até o século
XIX. Muitos marcheteiros figuram entre os grandes nesta arte,
como Riesener e Roetgen, mas sem dúvida Boulle é
uma referência e literalmente fez escola. A École
Boulle, renomada escola de artes e ofícios do Faubourg
Saint-Antoine, em Paris, instituição com mais
de duzentos anos de tradição, leva seu nome,
sem esquecer de enumerar em seus muros de cerâmica os
nomes dos demais artistas que tanto contribuíram para
esta arte; a arte, nas palavras do professor Pierre Ramond,
de "pintar com madeira".
Hoje, a marchetaria é uma arte rara, mas apesar disso,
ou talvez justamente por isso, é uma das mais impressionantes
das artes decorativas. Quem não olha com estupefação
um móvel com minuciosos detalhes em madeira formando
desenhos impecáveis?
Visite nossa galeria de museus e descubra onde estão
os maiores tesouros desta arte.
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